Saúde afetiva e vida cristã

Saúde afetiva e vida cristã

SAÚDE AFETIVA E VIDA CRISTÃ

Débora Costa Santos

Todos nós fomos criados como seres afetivos, isso faz parte de nossa essência original. Entretanto, formamos esta afetividade com características particulares na medida em que nos desenvolvemos nos diversos contextos em que vivemos.

Por meio dos afetos podemos expressar nossa subjetividade, que nada mais é do que o modo de ser, que cada um tem, à sua maneira. É por meio dos afetos que vivenciamos nossos sonhos, expectativas, desejos, e comunicamos isso quer seja de modo verbal ou não. Até quando gesticulamos expressamos nossos afetos.

A emoções, tais como a tristeza, a alegria ou a raiva fazem parte da vida afetiva porque se constituem a parte biológica dos nossos afetos. A tristeza, por exemplo, pode ser acompanhada de reações de choro, diminuição dos batimentos cardíacos, expressões faciais, etc. Assim, podemos dizer que emoções são reações do organismo, mas ocorrem de acordo com a interpretação que fazermos da realidade, e também de acordo com nossos sentimentos, a parte mais subjetiva da vida afetiva.

Deus nos fez seres afetivos, e como dizem as escrituras, tudo o que Ele criou é muito bom. As emoções e os sentimentos compõem a vida afetiva que ele mesmo nos deu dar colorido às nossas relações, e até mesmo para percebermos e planejarmos reações de autoproteção às diversas situações que vivemos.

O Ser humano é rico em sua complexidade, e na vida afetiva não poderia ser diferente. Homens e mulheres ou cada indivíduo em particular tem sua própria configuração afetiva. Tal complexidade enriquece os relacionamentos e nos torma únicos e especiais.

No entanto, no Éden houve algo que marcou não somente nosso destino eterno. Quando o homem pecou várias rupturas ocorreram, então conexões que antes determinavam um estado de equilíbrio, de saúde, harmonia e bem-estar, deram lugar ao conflito, à enfermidade, um mal estar interno sem precedentes.

Separado de Deus, Adão teve medo, então se escondeu. Quanto mais se percebia escondido, distante do criador, mais medo sentia, e quão terrível e angustiante deve ter sido esse momento, presume-se. Então o medo, a partir desse instante, ganha uma dimensão ampliada no repertório afetivo do homem: desdobra-se em angústia, pânico e dor.

A tristeza, assim como o medo, foi transformada por meio da experiência de perda das delícias do paraíso. Banido do jardim, o homem passou a experimentar uma vivência repetida de perdas, de modo que hoje a depressão, pode-se dizer que é a própria tristeza cronificada, leva muitas pessoas a uma vida infrutífera e ás vezes até à morte.

Até mesmo a relação entre dois irmãos, Caim e Abel, que deveria ser de harmonia, entendimento e fraternidade, foi afetada por um ataque mortal de ira, ciúmes de inveja de um sobre o outro. A ira se revela em sua força especialmente se for alimentadas por sentimentos que a potencializam.

Mas, na plenitude dos tempos, nasce Jesus, e sua morte veio redimir todas as dimensões arruinadas no Éden. Com efeito, há uma proposta de cura integral na cruz. Jesus disse que veio para que tivéssemos vida e vida em abundância. Foi profetizado como príncipe da paz, e isso inclui nossa vida afetiva.

Então, poderíamos pensar que se alguém está em Cristo é nova criatura, e por meio da experiência de conversão sua vida afetiva estaria automaticamente ordem.

Porém, não é essa realidade que observamos na maior parte das vezes. Questiona-se porque pessoas que estão há anos na caminhada cristã possuem uma vida afetiva tão conturbada, imatura ou empobrecida?

A resposta pode estar na compreensão de que existe uma estreita relação entre afetos saudáveis e a vida cristã. O processo de cura de nossa vida afetiva começa na cruz, e se desenvolve ao longo de nossa jornada cristã. Não é automático, mas desenvolvido por meio de um processo vivido no seio do corpo de Cristo.

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